
E eu deveria me concentrar e escrever...
ao som de Frühling in Paris - Rammstein
Mas bien, nada como um banho para entender tudo que de Caio F. ficou em mim depois desta tarde. Incrível como Caio me move. Consigo ver a atmosfera densa na minha volta quando estou lendo. A fumaça dos cigarros, a chuva, o cheiro, o nojo, a parada toda cinematográfica que envolve a história.
Tenho desejado escrever todos esses dias desde o inicio do mês. A vida não deixa. O movimento de casa não deixa. A vontade de ter um lugar meu no meio dessa coisa toda chamava rotina não deixa. Tive uns momentos densos por esses dias, mas passaram como os dias de chuva nesta cidade, que permanecem por pouco tempo. Talvez por isso consiga agora escrever alguma coisa. Tenho pensado muito, mas tenho conseguido exteriorizar pouca coisa, ou quase nada. Talvez por resistência, talvez por pura reserva mesmo.
A vida é a arte do encontro dizia o poetinha. Pessoa diria que a presença do outro me desencaminha os pensamentos. Eu penso que o encontro é necessário. O contato é necessário. Sentir antes de pensar. Isso nunca foi tão verdade para mim. Às vezes o que a gente precisa é de pele mesmo, de cheiro, de contato. Para se sentir mais gente, mais vivo, mais em movimento. A tal pequena epifania do próprio Caio, e eu também quase não sinto fome.
Só sei que Caio devolveu algo literário que eu precisava. Como disse, Caio me move. Penetra e cutuca algo meu que nem eu sei que é meu, ou que eu prefiro ler em Caio para depois dizer: isto é meu também. Tanto em Onde andará Dulce Veiga que eu li hoje à tarde, quanto em Pela noite – *pausa* companheiro das reflexões sobre o arisco à uns tempos atrás, que por sinal nem é mais o mesmo arisco mas continua cabendo totalmente na descrição o tal coelho, seria eu o coelho? *final da pausa* - ele faz uma reflexão sobre o outro e sobre o medo e o nojo, que eu não conseguiria, nem se realmente quisesse, contextualizar aqui. Até porque não importa o contexto. O que importa é o que eu acho que importa, pois a reflexão é minha. Em Dulce Veiga ele diz é preciso ser capaz de amar meu nojo mais profundo para que ele me mostre o caminho onde eu serei inteiramente eu.
Acho totalmente lógico isso, penso nessas coisas todas de projeção do nosso eu no outro e tals. Mas não quero me ater à isso agora. Só quero pensar que cada coisa tem seu tempo de acontecer. E que não quero fazer as coisas só porque alguém acha que eu devo seguir este ou aquele jeito de pensar-ser-sentir-agir. Não gosto que me exijam mais do que posso dar.
Talvez influência da vibe orixá-místico-astrológica do Caio, e também porque o horóscopo sempre acerta e o tarot nunca mente, li na internet que o próximo ano será de Vênus e conseqüentemente de Oxum. Beleza e amor. Amor na beleza. Beleza no amor.
Tenho tido implicações esotéricas mais do que nunca. Talvez seja o tempo vago depois de um ano estafante. Talvez a necessidade de que tudo faça sentido. Afinal o que chamamos de coincidência alguns chamam de compulsão à repetição. E seu eu lembro muito bem dessa história eu sei como termina. Bom, posso ter uma vaga lembrança da versão gauderiana dessa história, mas também não sei o que e influência do barroco mineiro resultará. Oh non! Je ne regrette rien!
Nenhum comentário:
Postar um comentário