
Penso que com o passar dos anos a gente vai dando um significado especial às coisas que acontecem na nossa vida. Talvez seja isso que chamam de maturidade. Mas às vezes me sinto tão verde que não sei se chamaria isso de maturidade. Enfim...
Nestes anos todos em que estive aqui, longe, lembrei de milhões de maneiras diferentes os momentos que vivi em Porto Alegre, cada um modificado da maneira que era mais conveniente. Da maneira que acalmava a saudade que eu sentia das coisas, das que foram e das que eu deixei por vir.
A saudade e a distância não duram para o que é fútil e insignificante. Só sobrevivem a elas o que realmente importa, o que faz parte daquilo que somos, da nossa estrutura, da nossa constituição como sujeitos.
Embora atualmente o ‘mundo virtual’ minimize a distância, ele ainda não nos permite aquele abraço amigo, o colo, o carinho, o toque. Assisti a vida dos meus amigos de longe, como quem assiste a um reality show. Vi amigos partirem sem poder me despedir adequadamente, e isso doeu tanto que eu nem sei escrever sobre isso.
O bom da vida é poder ir e voltar para onde nosso coração manda. E meu coração chama por Porto Alegre. Muitas vezes eu me vi olhando para o mapa dessa cidade com que examina a anatomia de um corpo, de um corpo desejado, cultuado. Me peguei sentido saudade das ruas de Porto Alegre, uma dor infinita, como diria o poeta. E repedindo “quando eu for um dia desses, poeira ou folha levada no vento da madrugada, serei um pouco do nada, invisível, delicioso”. É irônico pensar que este poema me acompanha a tanto tempo, antes mesmo de partir. E por isto é mais significativo, mais nostálgico.
Como desejo aportar novamente no meu Porto Alegre. Ancorar minha vida, meu coração e pairar meus olhos no pôr-do-sol laranja na beira do rio. Inflar os pulmões e deixar a mente se levar pelo minuano.
Serão apenas quatro dias, mas serão quatro dias que garantirão a volta próxima a esta cidade que eu amo, e que de longe eu aprendi a amar e chamar de minha terra, de chamar sua gente de minha gente. Meu pago, minha querência.
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