terça-feira, 26 de outubro de 2010

fonte da saudade


Penso que com o passar dos anos a gente vai dando um significado especial às coisas que acontecem na nossa vida. Talvez seja isso que chamam de maturidade. Mas às vezes me sinto tão verde que não sei se chamaria isso de maturidade. Enfim...

Nestes anos todos em que estive aqui, longe, lembrei de milhões de maneiras diferentes os momentos que vivi em Porto Alegre, cada um modificado da maneira que era mais conveniente. Da maneira que acalmava a saudade que eu sentia das coisas, das que foram e das que eu deixei por vir.

A saudade e a distância não duram para o que é fútil e insignificante. Só sobrevivem a elas o que realmente importa, o que faz parte daquilo que somos, da nossa estrutura, da nossa constituição como sujeitos.

Embora atualmente o ‘mundo virtual’ minimize a distância, ele ainda não nos permite aquele abraço amigo, o colo, o carinho, o toque. Assisti a vida dos meus amigos de longe, como quem assiste a um reality show. Vi amigos partirem sem poder me despedir adequadamente, e isso doeu tanto que eu nem sei escrever sobre isso.

O bom da vida é poder ir e voltar para onde nosso coração manda. E meu coração chama por Porto Alegre. Muitas vezes eu me vi olhando para o mapa dessa cidade com que examina a anatomia de um corpo, de um corpo desejado, cultuado. Me peguei sentido saudade das ruas de Porto Alegre, uma dor infinita, como diria o poeta. E repedindo “quando eu for um dia desses, poeira ou folha levada no vento da madrugada, serei um pouco do nada, invisível, delicioso”. É irônico pensar que este poema me acompanha a tanto tempo, antes mesmo de partir. E por isto é mais significativo, mais nostálgico.

Como desejo aportar novamente no meu Porto Alegre. Ancorar minha vida, meu coração e pairar meus olhos no pôr-do-sol laranja na beira do rio. Inflar os pulmões e deixar a mente se levar pelo minuano.

Serão apenas quatro dias, mas serão quatro dias que garantirão a volta próxima a esta cidade que eu amo, e que de longe eu aprendi a amar e chamar de minha terra, de chamar sua gente de minha gente. Meu pago, minha querência.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

pensando, estaba pensando por la ventana de aquel bar...


ultimamente a questão vai muito além do querer e ou não querer. relutantemente tenho que admitir: é uma questão de estrutura, de padrão.
analisando, pois é o que eu sei fazer, pecebi que o problema não é o arisco fugir, voltando ao inicio de tudo. o problema está no arisco ser 'domesticado' a tal ponto que a ilusão do eterno não acabe. que o arisco fique, e se torne... ahmm... venenoso? é como se o coelho se transforme num dragão de comodo, com a saliva tóxica, saca? e dai tu não pode fazer nada, se não matar o dragão de comodo e colocar a cabeça dele na tua parede. prefiro quando eu posso correr atras do coelho, brincar com suas orelhas e o seu nariz balança de um jeito engraçado. gosto da movimentação queo arisco trás pra vida da gente. o dragão de comodo é parado, denso...
volto a questão da estrutura. eu gosto de guardar coisas nos potinhos, exibir cabeças na minha parede... gosto do que vive intensamente, mas e o que eu posso, eu guardo até que morra,e assim permaneça meu, de alguma maneira. é bizarro. é uma questão de estrutura, de padrão.

mas como diz o pessoa 'e assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma' ...

cara eu tenho pensado demais nesta vida, nesta vida intensa que eu tenho levado ultimamente. é como se eu voltasse atras para me explicar, como se fosse um remember. me sinto relembrando para construir tudo novamente. e tenho me visto me explicando e me importanto em me explicar. talvez não para os outros, mas para mim mesma. cheguei a conclusão: sou livre dos outros, mas nao sou livre de mim mesma... complexo isso.

enfim, queria escrever muitas coisas aqui hoje, mas utlimamente meus dedos não acompanham meu pensamento. e ele voa tanto.

hoje os mineiros do chile foram resgatados. estiveram no ventre da terra durante uma gestação de 69 dias. nasceram para um mundo novo. metafórica e objetivamente falando. mas isso renderá outras reflexões. tenho várias delas guardadas aqui.

no mais, e sempre, o tarot mandou eu me abrir para o amor. e o hóroscopo tem acertado suas previsões.

faltam 17 dias e eu estou literalmente contando os dias para a viagem.

Hoje pensei sério… se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo...
Caio F.

domingo, 3 de outubro de 2010

somos burgueses sem religião...


no país onde qualquer coisa é festa, hoje foi a festa da democracia.

posso dizer só uma coisa, não fomos educados para votar, depois é isso que dá, é triste, mas é a festa da democracia, né?!

isso que dá a gente achar que é livre, tem vontade e consciencia suficiente para fazer as coisas. mas enfim, não sou eu quem vai refletir sobre a ação política neste país, não agora, não aqui.

até pq, assim como o cazuza, eu preciso de uma ideologia pra viver. e a minha ainda é capitalista, vesga, e mto mto mto egoísta.

brincadeirinha, não é assim o tempo todo, mas é assim a maior parte do tempo. culpa da fucking sociedade de consumo que matou o flower power. o osho disse que isso é pq a sociedade quer que tenhamos medo do outro e odio e não amor. tem lógica. pq deus é amor, não dinheiro.

mas é como o foucault disse quando terminou de escrever 'vigiar e punir': tá dominado, tá tudo dominado! e depois isso virou um funk carioca rsrs

a questão é que eu tenho pensando demais nesses dias, a questão é que eu não consigo escrever sobre vínculo, eu não consigo conceber um conceito sobre vínculo e eu vou tirar isso do meu tcc. e como diz o dudu: alguma hora eu vou ter que ceder e aceitar o vínculo e como disse a dani: depois eu fico ai, morando com um monte de gatos e falando sozinha e não sei pq...

acontece que eu tenho dificuldades de aceitar o outro. é como se eu soubesse que eu preciso de comida saudável e não conseguisse parar de comer junkie food. a lógica é a mesma. digamos que eu estou na frente de um prato de salada pensando em comer um hamburguer.

tô meio arisca, tô meio querendo ficar na minha toca hibernando, embora saiba que eu preciso sair pra tomar o sol da primavera. mas essa minha pseudo-culpa tbm está cheia de valoreszinhos burgueses furados.

"Todos temos por onde sermos despresíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."
Fernando Pessoa