domingo, 8 de agosto de 2010

o mais importante do bordado é o avesso...


antes de qualquer coisa: não consigo me concentrar nas coisas, oh é o fim! ¬¬

lembro de caio fernando sempre que eu tenho algo me angustiando, pq será?
mas enfim... tenho repetido para mim a frase "tenho um dragão que mora comigo" pq ela inicia um lindo conto do caio, sobre como a gente quer e precisa possuir estes dragões, e de como isso é, e sempre será, impossível.
há um tempo atrás, lembrava eu de outro conto do caio - pela noite - e falava do coelho, coelho esse que pode muito bem ser o tal dragão, que tá mais para uma quimera a essa altura da história.
o fato é, essa quimera tá me fazendo brincar de gato e rato e isso me lembra augusto dos anjos - e a pantera, a quimera e 'tome um fósforo ascende teu cigarro, o beijo, amigo, é a véspera do escarro' - e isso tá uma bela fauna de sensações.
acontece que que ando meio contraditória mesmo, deve ser o tal mercúrio no meu mapa, abalando as comunicações como sempre. algumas coisas realmente não saem como o desejado, e nossa como podem tomar grandes proporções - tomara que não o tomem, amém.
os planetas têm me feito passar por confusões e 'bilubilações' da consciência... fumaças e nuvens preenchem minha mente mais do que o de costume. não que eu sinta falta do ordinário modo de ser, consciente e triste, mas sei lá.
a quimera tem sido como um rastro de luz num dia nublado, contraditóriamente bom. digo contraditoriamente pq eu gosto dos dias nublados, mas também gosto dos rastros de luz. a confusão me dá dor de cabeça e eu busco refúgio. não que eu já tenha caminhado pelo caminho que me refugio, mas é como se a presença da quimera - e todo o jogo dela - me conduzissem por um caminho que eu estou gostando. digamos que a ameaça e a confusão que a quimera trás consigo estão fazendo com que eu descubra a paz. eu disse que era contraditóriamente boa a presença da quimera.
tenho tentado não me expor muito por esses dias, mesmo assim, tenho me descoberto com os outros me descobrindo, é estranho esse negocio de se deixar conhecer pelo outro. as vezes eu não gostaria que acontecesse. prefiro ser e não ser. ser e deixar de ser sem me deixar mostrar completamente. e, ironicamente, tenho aparecido mais do que o desejado. seriam os astros novamente brincando comigo?

preciso voltar às obrigações acadêmicas e pegar no tcc - e botar pra quebrar! (mto cliche né)
e preciso escrever um bom projeto para trabalhar nele e ficar bem na fita (cliche de novo)
e preciso demais de mim... ain cansa.

esses dias achei algo que tinha escrito no inicio do ano. li, pensei, li, e senti saudades. saudades me dá paz também. e faltam 2 meses e um pouquinho para a viagem. e eu sinto felicidade.

"Hoje, acho que sei. Um dragão vem e parte para que seu mundo cresça? Pergunto - porque não estou certo - coisas talvez um tanto primárias, como: um dragão vem e parte para que você aprenda a dor de não tê-lo, depois de ter alimentado a ilusão de possuí-lo? E para, quem sabe, que os humanos aprendam a forma de retê-lo, se ele um dia voltar?
Não, não é assim. Isso não é verdade.
Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia."

talvez eu seja o meu dragão, ou convivi com tantos que me tornei um? tem lógica. e esses coelhos e quimeras?

e mais uma vez e sempre: existe silêncio?
começo a ter certeza que não...

Nenhum comentário: