
Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
in "Onde estivestes de noite" - Clarice Lispector
uma imagem mental e fim... (de novo)
acho que eu tô findando muito com as coisas...
este post já estava aqui, a muito tempo, o que faltava era tempo (ou qualquer outra desculpa) para conclui-lo adequadamente.
Mas, continuando agora, que podemos com mais propriedade escrever... é como a profa lá diz - talvez a unica coisa que eu tenha escutado da aula dela - "ninguém é o que não é por muito tempo". E dessa vez eu não tô acusando ninguém, nem metaforicamente - talvez só um pouco - estou afirmando isso em relação a mim mesmo, não há como fugir da nossa natureza, e hoje caberia aqui a resposta que eu fiz para a Dani sobre o ser que é "carrasco", mas ficou muito grande e prolixo, posto que veio de mim né?
"... e parecia que era minha aquela solidão..."
a gente muda, algumas situações ainda se repetem, fazia anos - sim anos - que eu não sentia d0 jeito que eu senti, eu mudei, e senti feliz por sentir parecido a uns tempos atras. É algo como, em um sopro, a gente lembrar: "deus, eu já desejei isso", e sentir uma saudadezinha, pq quando isso aconteceu existia uma esperança, um vir a ser que hoje não existe mais, uma esperança diferente da de hoje, pq tudo já passou... e a gente olha para o passado querendo deixar um pedaço nosso lá e trazer um pouco de lá pra cá... não considero essa nostalgia ruim. É uma maneira de valorizar o presente, de afirmar escolhas. Foi bom e eu me senti feliz apesar de tudo.
E então eu percebi que a uns anos atras eu não pensava que hoje eu estaria aqui - em todos os sentidos - morar em BH talvez nunca tinha passado pela minha cabeça, estudar psicologia era a coisa mais improvável e trabalhar com o gestão então... sem contar em estar longe de pessoas que eu pensei que sempre estariam comigo, para o resto da vida... algumas pessoas foram embora antes que todas as outras mudanças viessem...e foi assim que aconteceu.
Todas essas coisas passam pela minha cabeça vez em quando, dai eu leio um Caio Fernando, um Mario Quintana... e Porto Alegre me dói.
Me dói o vir a ser que deixou de existir, os lugares que eu nunca fui, as pessoas que perdi no meio do caminho. Me dói - de uma maneira boa - saber que hoje eu sou diferente e que posso ir a qualquer lugar desse mundo, qualquer lugar bem improvável, e ainda sim, depois de todos os lugares improváveis eu vou querer voltar para Porto Alegre, pra resgatar aquele vir a ser que não existe mais.
Hoje, sinto satisfação por ser o que eu sou, sinto saudade e angustia, mas isso, sabemos, é normal, já que, somos humanos e incompletos. (total auto-ajuda :P)
Enfim, estou anacrônia e nostalgica e prolixa demais... não há como fugir disso agora.
estava trabalhando demais, estudando demais, e claro, pensando demais por esses dias... cansei viu, agora essa semana vai ser leve - eu juro!
.: relax, take it easy :)
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