
Como diria o sempre presente Fernando Pessoa: eu e todos os cansaços do mundo...
Eu insuportável, estúpida e prolixa... eu que esquivo, que sinto ciúmes e até inveja. Eu que poderia ser promoter de funerária, eu cujo humor é digno da comparação com um filme noir cinza, frio e chuvoso.
Eu que ainda me preocupo em ser agradável, que tento (dentro do que eu dou conta) me colocar no lugar do outro. Eu que sofro com meus preconceitos,eu...eu que ainda espero me sentir boa o suficiente para gostar de alguma coisa...
Eu que não amo, e nem tento. Eu arrogante, eu metida, eu tímida (e por que não?), eu frágil, eu e minha coragem.
Eu que gosto de sentir o crepúsculo, de respirar o ar da noite e conversar com lua, e suplicar junto as estrelas a possibilidade de encontrar meu lugar neste mundo doido.
Eu que ainda prefiro as experiências que os livros podem me proporcionar, eu que vivo e sonho filmes, eu que seleciono trilhas sonoras para a minha vida.
Eu comum, normal e patética inutilmente sempre tentando me explicar...
Eu que não sinto tristeza (não o tempo todo), mas que também não sei (não quero) expressar a minha alegria.
Eu sentimental, eu razão, eu sozinha... eu que ainda (sempre) sinto saudades dos velhos tempos...
Eu que vivo uma época que não foi minha, tenho heróis que não foram feitos para mim, busco culturas para escapar da que pertence a maioria, eu que me invento...ou copio o que os outros inventam...
Eu que não quero me render a condição de precisar do outro, eu que fujo da mortificação do meu “eu”, eu que não quero morrer na mão do outro... eu que me destruo para sobreviver...
Eu que ainda planto rosas e converso com animais e objetos.
Eu que ainda sinto culpa por criticar os outros. Eu que quero me proteger. Eu que não aceito (talvez nunca aceitarei) pessoas que não são verdadeiras consigo mesmas e são o que os padrões pedem que elas sejam.
Eu que não gosto de padrões, mesmo assim crio um monte deles.
Eu que tenho nojo das pessoas vulgares com seus olhares lascivos...
Eu que ainda não encontrei outra definição para os relacionamentos atuais se não: prostituir-se em troca de afeto e status.
Eu que não consigo sentir nada em relação a isso – muito menos inveja. Eu que, nem sempre, gosto de ficar sozinha.
Eu que não me esforço para manter as pessoas (que vão embora) perto de mim...
Eu que não sou saudável, eu preguiça, eu dedicação, eu competidora... eu cruel.
Eu curiosa, eu desdém... eu que sofro, sonho... eu que cultivo minhas esquisitices, minhas estranhezas e assim vivo o que é possível viver, plenamente...
Eu que transfiguro, imagino, invento.
Eu que não sou saudável, eu preguiça, eu dedicação, eu competidora... eu cruel.
Eu curiosa, eu desdém... eu que sofro, sonho... eu que cultivo minhas esquisitices, minhas estranhezas e assim vivo o que é possível viver, plenamente...
Eu que transfiguro, imagino, invento.
Eu que continuo aqui... e eu que estou indo embora.
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