quarta-feira, 30 de janeiro de 2008




E o diabo prometeu você pra mim

Eu prometi que vou fazer você sofrer

Eu tenho a eternidade toda pra fazer

Isso daqui ficar pior


.matanza.



- idéias para um best seller? :P

terça-feira, 29 de janeiro de 2008




' E assim como um sonho, raciocino se quiser, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.


Príncipe de melhores horas, outrora eu fui tua princesa, e amámo-nos com um amor doutra espécie, cuja memória me dói.'


Fernando Pessoa

*suspiro*



segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Resíduo




De tudo fica um pouco.

Do meu medo. Do teu asco.

Dos gritos gagos. Da rosa

Ficou um pouco.

Fica um pouco de luz

captada no chapéu.

Nos olhos do rufião

de ternura fica um pouco

(muito pouco).

Pouco ficou deste pó

De que teu branco sapato

se cobriu. Ficaram poucas

roupas, poucos véus rotos,

pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.

Da ponte bombardeada,

De duas folhas de grama,

Do maço - vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.

Fica um pouco de teu queixo

No queixo de tua filha.

Do teu áspero silêncio

um pouco ficou, um pouco

nos muros zangados,

nas folhas, mudas, que sobem.

Fica um pouco de tudo,

No pires de porcelana,

dragão partido, flor branca.

ficou um pouco

de ruga na vossa testa,

retrato

Se de tudo fica um pouco,

Mas porque não ficaria

um pouco de mim? No trem

que leva ao norte, no barco,

nos anúncios de jornal,

um pouco de mim em Londres,

um pouco de mim algures?

Na consoante?

No poço?Um pouco fica oscilando

Na embocadura dos rios

E os peixes não o evitam,

Um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.

Não muito: de uma torneira

pinga esta gota absurda,

meio sal e meio álcool,

salta esta perna de rã,

este vidro de relógio

partido em mil esperanças,

este pescoço de cisne,

este segredo infantil...

De tudo ficou um pouco:

de mim; de ti; de Abelardo.

cabelo na manga,

de tudo ficou um pouco;

vento nas orelhas minhas,

simplório arroto, gemido

de víscera inconformada,

e minúsculos artefatos:

campânula, alvéolo, cápsula

de revólver...de aspirina.

De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.

Oh, abre os vidros de loção,

E abafa

o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,

e sob as ondas ritmadas

e sob as nuvens e os ventos

e sob as pontes e sob os túneis

e sob as labaredas o sob o sarcasmo

e sob a gosma e sob o vômito

e sob o soluço, o cárcere, o esquecido

e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate

e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes

e sob tu mesmo e sob os teus pés já duros

e sob os gonzos da família e da classe,

fica sempre um pouco de tudo.

Às vezes um botão. Às vezes um rato.


Drummond

domingo, 27 de janeiro de 2008

bom é quando faz mal x)





se a minha alimentação saudavel continuar não sei o que será de mim.



experimenta:



- zero gordura trans + 100% carne bovina = mc donalds = bonequinho da pucca;

- um litro de café por dia;

- paõzinho com gergelim;

- pão doce com creme;

- e muito chiclete;

- esfirras ultra temperadas com quilos de tomate e cebola;

- curry e outros temperos fortissimos;

- pizza;

- chocolate;

- sorvete;

- refrigerante;

- e outras coisinhas que convergerão na minha gastrite crônica xD



preciso parar com isso, mas é tão bommm :P

domingo, 20 de janeiro de 2008

.não me faz lembrar nada.




I walk the streets of Japan till I get lost
Cause it doesn't remind me of anything
With a graveyard tan carrying a cross
Cause it doesn't remind me of anything
I like studying faces in a parking lot
Cause it doesn't remind me of anything
I like driving backwards in the fog
Cause it doesn't remind me of anything
.
The things that I've loved the things that I've lost
The things I've held sacred that I've dropped
I won't lie no more you can bet
I don't want to learn what I'll need to forget
I like gypsy moths and radio talk
Cause it doesn't remind me of anything
I like gospel music and canned applause
Cause it doesn't remind me of anything
I like colorful clothing in the sun
Cause it doesn't remind me of anything
I like hammering nails and speaking in tongues
Cause it doesn't remind me of anything
.
The things that I've loved the things that I've lost
The things I've held sacred that I've dropped
I won't lie no more you can bet
I don't want to learn what I'll need to forget
Bend and shape me
I love the way you are
Slow and sweetly
Like never before
Calm and sleeping
We won't stir up the past
So descretely
We won't look back
.
The things that I've loved the things that I've lost
The things I've held sacred that I've dropped
I won't lie no more you can bet
I don't want to learn what I'll need to forget
I like throwing my voice and breaking guitars
Cause it doesn't remind me of anything
I like playing in the sand what's mine is ours
If it doesn't remind me of anything
.audioslave.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008




.~: I wish for this night-time

to last for a lifetime

the darkness around me

shores of a solar sea

oh how I wish to go down with the sun

sleeping

weeping

with you :~.

nightwish

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Dama da noite




(...)

Fissura, estou ficando tonta. Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro, mas segurando umas. Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada. Feito eu: não seguro picas, não quero ninguém. Nem você. Quero não, boy. Se eu quiser, posso ter. Afinal, trata-se apenas de um cheque a menos no talão, mais barato que um par de sapatos. Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar. Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro.


Só por ele, por esse que ainda não veio, te deixo essa grana agora, precisa troco não, pego a minha bolsa e dou a fora já. Está quase amanhecendo, boy. As damas da noite recolhem seu perfume com a luz do dia. Na sombra, sozinhas. envenenam a si próprias com loucas fantasias. Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui. continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro.


Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.


Caio Fernando Abreu


(Extraído do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso. Companhia das Letras. 1988)



Quanto a mim, sempre odiei o sofrimento,mas nunca soube ser feliz...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

mas eu...





"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem—
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de
água."


Álvaro de Campos




foto tirada pelo Lucas - Livramento/RS

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

sexy?








Definitivamente, o poder é sexy, inteligência e panturrilhas também =)




Acompanhando o coitadito do Bilawal Bhutto, filho da Benazir, eu cheguei a conclusão que o poder é sexy.

Suas fãs aclamando por sua vida no Facebook, isto é o máximo.


Um mocinho de 19 anos, que vive a sua vida 'normalmente', até que puff!! sua mãe, uma revolucionária, a primeira mulher a comandar um Estado Islâmico, ao voltar do exílio é assassinada e ele tem o "dever moral" de seguir o legado político de sua família no Paquistão.


Não sei sobre a política do Paquistão, o que sei é que o Bilawal Bhutto agora é POP, ou melhor, ele é SEXY!!! De um nerd de Oxford, onde estuda Direito, para o 'gostoso' novo lider do PPP, alguém mais duvida de que ter poder e aparecer na mídia é sexy?


Ok, ok, e o que mais Carol? Porque aquela foto do tio Fidel ali encima?


Ah sim! Pra quem não teve conhecimento, o Chavéz, uns dias atrás disse que o Fidel é o lider mais estiloso do mundo, e alguém duvida?


Não, isto não é apologia ao socialismo defendido por Fidel, até porque eu não tenho base pra falar sobre isso. Mas vejamos, o Fidel é 'dono' de uma ilha, resiste há anos ás investidas americanas, fuma charutos (hum sexy!), é de fato muito inteligente, foi amigo intimo do Che, usa uniforme, e ainda fala 'Te quiero!', quer lider mundial mais charmoso que ele?


A 'inteligência'


resumindo, como a sobrinha de alguém diz: não posso conviver com alguém que não sabe o que é um petit gâteau :P


um pouco de sarcasmo, humor apurado, comentários pertinentes...essas coisas...


tá não é só isso, mas deu pra entender *pisca*


E as panturrilhas Carol?


bom....


- divagação durante almoço no shopping -




"Homem tem que ter panturrilhas definidas, se não, não é homem! Deus do céu
panturrilha fina é horrivel, o cara fica parecendo um passarinho.
Panturrilhas são sexy e ponto final!"


tudo pelas panturrilhas :P


sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

contribuições do cotidiano



1. interação familiar

Nessa época de fim/início de ano as pessoas ficam mais receptivas e etc e tal. Então estava papai a conversar no telefone com meu tio que não vemos há seculos, por diversas razões, quando sai do banho.
Em tais situações, as pessoas, por falta de assunto, apelam para o trivial: política, tempo, dinheiro, filhos.

Pai: pois é magro (meu tio), então é assim que se sonega dinheiro neste país. O cara compra umas vacas, diz que a vaca tem cem crias por ano e assim vai...

Alguma parte da conversa que eu não lembro.

Pai: por isso que a carol, quando formar em psicologia vai abrir uma lojinha e jogar tarot pras pessoas...

Mãe (gritando bem alto): e depois vai abrir um puteiro!!!

- reconhecimento familiar, não tem preço!


2. Deja vú

Carol no computador: lá lá lá lá....

Chega mãe agonizada, quase lacrimejando, com expressão um pouco triste (exagero da minha parte, mas só pra dramatizar um pouquinho :P)

Mãe: Carol - pausa - aconteceu uma coisa muito triste hoje...

Carol: hã? o que?

Mãe: uma coisa muito triste...

Carol: *¬¬* quem morreu?

Mãe: não morreu, mudou...

Carol: tá mãe, quem mudou?

Mãe: adivinha? - ela adora que eu adivinhe, e eu nunca consigo -

Carol: tá mãe, quem é?

Mãe: o meu médico...mudou pra ipatinga!!!!

Carol pensa: hã?? Crise de risos.

Mãe: não ri!!! é serio, isso é muito triste! Quando eu encontro alguém que me entende e me dá o que eu quero, e vai embora, muda pra ipatinga!!!


.: Juro que já ouvi este diálogo :P Mas pelo menos esse deixou indicação de substituto. xD


hoje eu queria que chovesse muito...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008






"A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios."
Fernando Pessoa



Se tudo existe


Se tudo existe é porque sou.

Mas por que esse mal estar?

É porque não estou vivendo do único modo

que existe para cada um de se viver e nem sei qual é.

Desconfortável.

Não me sinto bem.

Não sei o que é que há.

Mas alguma coisa está errada e dá mal estar.

No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.

Abro o jogo.Só não conto os fatos de minha vida:sou secreta por natureza.

O que há então?

Só sei que não quero a impostura.

Recuso-me.

Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.


Clarice Lispector


sim! lá vem a carol escrevendo de novo, na verdade o post anterior era de ontem, mas como eu esta assistindo Big Fish, deixei pra hoje.


Estava pensando, no que diz respeito às minhas relações com o 'outro' (qualquer outro), provavelmente, permitirei que outra pessoa fique no meu lugar. Na verdade, alguém sempre toma o lugar de outra pessoa. Mas, no meu caso, fazendo um retrospecto das minhas ações, de fato eu encorajarei para que isto aconteça, acredite, sim eu farei isso. E acreditarei que assim será melhor. E lá se vão os pares e eu fico. É um pouco triste, porém, depois de um tempo, passou a fazer parte da minha essência.Não consigo pensar que as coisas duram...não consigo pensar que eu ficarei para sempre por aqui, quero sempre estar de passagem, como um sopro de vento que balança as árvores, mas que, por sua natureza, não consegue ficar mais do que alguns instantes com elas.

E eu quero acreditar nisto tudo, e isto não tem que fazer sentido algum.


ditado de tia para o mês de janeiro: o peixe morre pela boca :P


e só mais uma coisinha...como diria o roberto: eu sou terrivel!

pensamentos





"as reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"
Mário Quintana



Antes que o ano acabasse ainda consegui 'extrair' algumas idéias boas que poderão, e serão, utilizadas e elaboradas neste ano agora.


A primeira.


Quando eu coloquei a frase "e quem é que hoje faz questão de virgindades... " no msn, não achei que alguém responderia. Bom, primeiro responderam "os árabes", sim os árabes fazem questão de virgindades, pq até onde chegou ao meu conhecimento, no paraíso masculino árabe, o homem tem 'virgens renováveis' toooodos os dias de sua eternidade. Isso não é tão legal? (hein?!)


Depois alguém veio e disse: o papa... - e completou - e os homens inseguros...


.como eu disse ali encima, iremos elaborar melhor esta idéia.



A segunda.


Conversando com a Dani, após o nosso 'encontro para ver as luzinhas', chegamos a conclusão: somos tão críticas em relação aos nossos sentimentos, e aos sentimentos dos outros, que estamos com medo de conversar umas com as outras as coisas que nos encomodam.


E isto é verdade.


Tão verdade que, indo nesta besteirinha de prometer coisas pra 2008, eu pretendo ser menos repressora. Não deixar de ser repressora, se não deixaria de ser eu mesma, e eu não estou assim com taaaanta vontade de mudar, mas ser menos repressora.



A terceira.


Meu irmão, momentos antes da virada, me disse: Carol, tu é pessimista nata, né?! Nunca te vi sendo otimista.


Sim, sim...ele disse isso!!!


Fernando Pessoa responderia : "Eu não sou pessimista, sou triste.".


Mas eu não sou triste, não chega a ser tristeza, digamos que o que eu sinta seja uma eterna insatifaçãozinha, um desassossego, mas não, ainda, tristeza. É spleem, enfado...que seja.



Além dessas coisas, tenho sim meus 'planos', minhas coisas para fazer e pensar, pensar e fazer e sentir, e viver...e pensar, e sentir...



.: take this heart
and make it break :.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008


Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.
Fernando Pessoa
Feliz Ano novo =)